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Escolha do Editor

A dança e os jovens deficientes na Etiópia

Posted: 6 de April de 2017 at 15:03   /   by   /   comments (0)

Na Etiópia, ainda existe uma visão preconceituosa sobre a deficiência. Acredita-se que ela é uma maldição, punição, algo vergonhoso. Muitas crianças deficientes são escondidas por suas famílias ou vão morar nas ruas.

Um estudioso está ajudando a quebrar esta barreira, usando a dança contemporânea como arma. Jovens deficientes estão aprendendo a dançar como forma de capacitação. Uma oportunidade, também, para mostrar o talento destes jovens.

O professor de Teatro e Performance na Escola de Humanidades e Artes, Adam Benjamin, está trabalhando na Etiópia desde 2000, quando recebeu o convite de estudar a Companhia de Dança Moderna Adugna. Esta companhia trabalha com crianças das favelas de Addis Abeba, jovens deficientes que são vítimas de preconceito e descaso.

Adam sempre acreditou no poder que a dança tinha para transformar pessoas e relacionamentos, mas tinha medo de trazer algo que funcionou na Grã-Betanha para um lugar com uma cultura e necessidades tão diferentes. A Grã-Betanha já foi reconhecida mundialmente como “A nação dançante”, mas a dança sempre esteve presente na África.

O professor se sentiu encorajado, e por ter organizado oficinas e sessões coreográficas com dançarinos da Adugna, recrutou um grupo de jovens dançarinos com deficiência e montou um grupo com onze integrantes, sendo dez com paralisia pós-poliomielite e um com paralisia cerebral grave, cadeirante.

O nome escolhido para o grupo foi Adugna Potentials e Adam trabalhou com eles buscando explorar a dança que ele estava familiarizado na Grã-Betanha, adaptando-a a realidade cultural da Etiópia.

Segundo Adam, trata-se de incentivar os jovens, lutar contra o preconceito contra deficientes, capacitá-los e dar-lhes confiança para acreditarem em si mesmos

Adam publicou o livro Making An Entrance: Theory and Practice for Disabled and Non-Disabled Dancers dois anos depois após seu estudo inicial. Na obra, o autor sugere que os dançarinos de Adugna estariam aptos a usarem suas habilidades de performance como uma forma de sensibilizar e comunicar mensagens importantes, além de ser um bem social, artístico e remediador.

Adam coreografou muitas peças para Adugna e tem sido um mentor para Junaid Jemal Sendi e Addisu Demissie, coreógrafos responsáveis pela criação da A Holding Space juntamente ao coreógrafo Russel Maliphant como parte do projeto Destino. Junaid e Addisu são reconhecidos agora, premiados artistas. Agora, os dois estão construindo o primeiro empreendimento social, uma companhia de dança na Etiópia trabalhando com marginalizados e grupos em risco, incluindo jovens deficientes, portadores de HIV e jovens infratores.

No ano de 2013, Adam retornou a Addis Abbaba para gravar o desenvolvimento do grupo Adugna Potentials e a fazer um laboratório de dança para onde moverá sua companhia na sua nova estratégia de performances. Em 2014, Junaid e Addisu junto a outros três integrantes do Potentials Adugna ganharam o primeiro prêmio do Júri no Festival de Dança e Deficiência em Valência, Espanha.

Com os anos se passando, o Adugna Potentials está cada vez mais reconhecido por suas performances e isto está criando um grupo ativo nas mudanças sociais da Etiópia.

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